Brasil financia “porto chinês” em Cuba

Financiado em mais de 70% pelo Brasil, o porto de Mariel será o equivalente em Cuba às zonas econômicas especiais criadas pela China para atrair capital estrangeiro no início das reformas econômicas, há 30 anos.

Embora evite fazer a comparação -que também não agrada aos dirigentes cubanos-, o Brasil vê o empreendimento como oportunidade de negócios para companhias nacionais, que poderão ter ali uma plataforma de exportação e vendas ao mercado interno cubano.

Além das instalações portuárias, o complexo a 40 km de Havana inclui uma “zona especial de desenvolvimento”, que receberá empresas industriais e de logística.

Uma fábrica de vidros brasileira, a Fanavid, anunciou que construirá uma unidade no local -de onde, em 1980, emigraram para a Flórida 125 mil cubanos, os “marielitos”. O êxodo teve então a anuência de Fidel Castro, depois de uma onda de pedidos de refúgio em embaixadas.

Às vésperas da primeira viagem da presidente Dilma Rousseff à ilha, na terça-feira, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) aprovou na última semana um crédito de US$ 523 milhões (R$ 904,8 milhões) para Cuba.

Do total, US$ 230 milhões correspondem à última parcela do empréstimo de US$ 682,15 milhões do BNDES para o porto construído pela Odebrecht e que deve começar a operar em janeiro de 2013. O restante financiará a compra de máquinas e alimentos brasileiros.

O porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, afirma que o principal objetivo de Dilma na visita é “sistematizar o relacionamento econômico” entre os dois países. Segundo ele, há interesses mútuos que não são movidos apenas por solidariedade política.

“Eles estão absolutamente interessados em aprofundar a parceria econômica conosco, e essa parceria é benéfica para os dois lados. É um mercado que se abre”, disse.

Ele afirmou que não houve nenhuma concertação com as autoridades cubanas na decisão do Brasil de dar visto de turista à blogueira oposicionista Yoani Sánchez (a viagem ainda depende da autorização de Havana).

Quando foi a Cuba preparar a visita, o chanceler Antonio Patriota conversou com as autoridades locais sobre direitos humanos, mas sem fazer gestões específicas.

DA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE

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Um Comentário.

    Nelson Luiz Carliini diz:

    ‘Louvável o esforço brasileiro para ampliar sua influencia, os negócios da base industrial do País e colaborar com a entrada de Cuba na comunidade economica mundial, deixando de lado os pruridos “revolucionários”e isolacionistas.
    Para fazeer o mesmo internamente o Governo federal não tem recursos nem empresta seu aval para garantir recursos para a construção de novos terminais. Já que destina o pouco que tem para fazer o papel de nova potencia, e deixa a infraestrutura interna sem financiamentos porque não abre a porta ao setor privado para que este faça os investimentos, em projetos aprovados pelo governo, mas sem restrições? Como estamos hoje estamos mal, sem recursos estatais e sem autorizações para investir. Qual é o objetivo da colocação de barreiras de entrada no setor portuário? Proteger os cartéis formados?

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