José Raimundo

A teocracia dos xavecos

Há muitos anos, quando trabalhamos como revisor na imprensa local, sempre nos chamou a atenção o noticiário policial pelo enxame de apelidos com que os meliantes eram cunhados no submundo da criminalidade,e parte obrigatória nos boletins de ocorrências, onde fulano era “Babão”, beltrano “Mero preto”, sicrano “Mãozinha” e daí por diante.

Não sabemos se coincidência, mas nos dias deste enxovalho moral de hoje, fruto da promiscuidade companheira, os cognomes ou apelidos voltaram à cena, e, o que é pior, por força de inquestionável analogia, ponto comum na indignidade de algumas Excelências empavonadase feitos semelhantes àqueles d’antanho.

Basta perceber que a figura mais importante do país brasiliense, por força da refocilagempolitriqueira, chama-se “cachoeira” (mais uma rima que não soluciona); seu comparsa é um tal de “dadá”, não o querido e respeitado Dadá Maravilha, de tantas glórias no futebol, mas um mafioso bisbilhoteiro que tem no acervo pessoal segredos inconfessáveis de quase todo mundo nos planos altos, do que se aproveitava  seu “capo” para afanar, em conluio com outros da mesma inexistência moral, o suado dinheiro do povo honesto e trabalhador que geme oprimido sob o peso da maior cota de impostos que o mundo tem notícia.

Aliás, este quadro já foi preconizado no alvorecer trágico do governo vermelho, quando o então senador Arthur Virgílio, em sessão no Senado, questionava os ganhos do PT com a salafrarice do “mensalão”, até hoje impune.

Rebatido pelo líder do governo que defendeu o ex-tesoureiro do partido, de apelido “silvinho”, o senador Arthur não titubeou na tréplica, dizendo que “aquilo não era nome, mas alcunha de cantor brega”.

Fosse ainda Senador da República, razões dobradas teria o parlamentar tucano para verberar contra a atual multiplicação deamorios. Só para exemplificar, lembramos que o vice-governador do segundo maior estado do Brasil, o Rio de Janeiro, é conhecido como “pezão”!

Pode?… Claro que pode tudo num país onde o ex-presidente – que ainda age como se estivesse à frente do seu desgoverno – é mais conhecido pela alcunha de “lula”,molusco cefalópode de tentáculos providos de ventosas, com os quais aprisiona suas vítimas de forma sorrateira, mimetizando-se inclusive no fundo do mar, entre as pedras, para alcance dos objetivos predadores.

Cai o pano!…

Agora, só para conferir: alguém já pensou se o Presidente Barak Obama ,dos Estados Unidos, atendesse pelo apelido de “Babá”; seSarkozi, da França, pelo de “Sassá; se Juan Carlos, da Espanha, pelo de “Juju”; se a rainha Elizabeth, da Inglaterra, pelo de “Bebel”, ou até mesmo o senil  e carniceiro FidelCastro pelo de “Fifi”?… É nóis!…

Desse jeito, só “mermo” tchau e “bênça”!… Ou, como diz aquele trêfegoapresentador televisivo: “Dignidade, já!…”

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Dona Lindalva

No dia 15 de março passado, a senhora Lindalva de Castro Marão completou 90 anos de idade.

Matriarca de uma das famílias mais ilustres do Maranhão, gerou e criou amorosamente oito filhos, dentre eles nosso estimadíssimo Antônio,  que lhe deram trinta e nove netos. Dessa prole o destino reservou-lhe duas dolorosas surpresas, com a morte de um filho em 13 de março este ano, e o assassinato covarde de um neto há alguns anos, todas suportadas com o estoicismo das madonas verazes.

Viúva do senhor José Ribamar Marão, é um exemplo de mãe, esposa, conselheira e confidente, que tanta falta faz nas famílias de agora.

Permitimo-nos abrir um pequeno parêntese para aludir ao senhor Marão, com quem colaboramos, quando funcionário da Companhia Nordeste de Automóveis-CINORTE, à época estabelecida na Rua da Palma, Centro, uma das muitas vitoriosas empreitadas empresariais do seu dinamismo, ousadia e descortino, artigos em extinção no país, sobretudo neste Estado.

Tê-lo como patrão foi ter um amigo quase paternal, compreensivo e generoso, dessa generosidade inata e superior, sempre atento às carências dos colaboradores, para dirimi-las.

Prova pessoal disso são os incontáveis “vales” semanais que sempre nos permitiu, e que até hoje dormitam, incólumes pelo proposital esquecimento, no escaninho do seu coração, que as almas dos bons, no paraíso dos seus atos, também os têm. Deus o guarde!

Companheira e cúmplice amorosa do marido, Dona Lindalva ao miscigenar em seu cabedal de virtudes as virtudes daquele, cristalizou-se nessa mulher admirável que a passagem do tempo abrilhantou as cãs, como efígies de homenagens à sua notável e longeva existência.

Hoje, cercada dos seus, é assistida mais amiúde por uma filha a quem dedicou generosa cota de sublimidade maternal, que, a seu turno, multiplica-se em desvelos para, pelo menos em mínima parte, retribuir àquela tudo o que anteriormente recebeu.

.E são esses reconhecidos cuidados que confortam a famíliaMarão, dando-lhes a certeza de que possíveis vagidos de apocrifias excludentes serão microscópicos coaxos pantaneiros, e nunca irão deter o continuar da primavera.

Parabéns, Dona Lindalva!

 

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Os beijos dos bicudos

Segundo o antigo adágio, assim como dois obesos não se abraçam, “dois bicudos não se beijam”. Nem mesmo nesta terra de Vera Cruz onde o impossível acontece. Senão vejamos três exemplos atuais dessa tragicomédia, só para ilustrar o que estamos assegurando:

A guerra dos gazofilácios

Trata-se do entrevero entre o universal e o internacionaldos reinos do diabo, que deve ser o deus deles, pelo abarrotamento dos cofres avalistas das passagens do paraíso, coisa em que só acreditam aqueles divorciados do verdadeiro e único Deus para acreditarem na lábia mentirosa da vigarice evangélica desses que são os verdadeiros “sepulcros caiados” de que nos fala o Nazareno, alvos por fora e cheios de podridão por dentro onde ocultam suas verdadeiras e demoníacas malícias.

Detentores de fortunas milionárias sem retorno dos impostos que avassalam aqueles que verdadeiramente trabalham, imiscuem-se na política, para, junto com seus pares, empobrecerem ainda mais os miseráveis crédulos a quem impelem ao jejum para fartura de suas mesas com baixelas de ouro e prata; a quem reduzem à miséria dos casebres para fomento das construções faraônicas onde pronunciam, aos berros, aos gritos e em estridência insuportável, preces e cantos aos baal das profundezas.

É hora das autoridades ao menos imputarem a esses afanadores de dízimos um percentual a título de impostos para minimização da miséria que suas “igrejas” proporcionam.

E nada de atribuírem a doação voluntária, que esta é fruto de uma massificada lavagem cerebral acompanhada de “milagres” televisivos em horários quase que totais em algumas estações.

Mas Deus certamente há de roja-los no abismo, como Jesus aos demônios, para as trevas e o ranger de dentes. Franquia de igreja evangélica, francamente!… É o verdadeiro apocalipse!…

A cana de braço planaltina

Esta é a da presidente(a) com os “aliados” na hora da partilha dos cargos e do dinheiro público, que, embora se diga e repita exaustiva e mentirosamente de forma amanteigada, não se encontra amontoado à disposição da gula dos convivas.

Parece que o Luiz Inácio, conhecido como Lula, ao distribui-lo na compra de políticos de algibeira para o PT, fê-lo, como sempre, de forma irresponsável e agora o tacho já está com o fundo à mostra, mas a lombriga solitária dos come e dorme está faminta e ameaça parar tudo se não meter a mão novamente na jarra.

Só mesmo num país de roubalheira descarada e impune como o nosso, onde até o cabo da vassoura da faxineira quebrou, onde a FIFA impõe tudo e rasga a Constituição para que a cachaça role solta. Coisa de “pratiotas”!…

É proibido mijar

Esta é de cá da província, onde, em ano eleitoral, Governo e Prefeitura trocam acusações, como se um pelo outro alguém merecesse troco. E vai de lá e vem de cá, eis que a Caema cortou o fornecimento de água para os Terminais de Integração da Prefeitura, que, por sua vez, trancou os banheiros fazendo com que cerca de mais de 90.000 usuários dos transportes coletivos ficassem impedidos cotidianamente de evacuar ou mijar.

Agora, com um pouquinho de imaginação, quem quiser faturar muito é só levar para os Terminais litros pet vazios, munidos cada um de um funil e alugar a 50 centavos por mijada masculina. Vai render uma grana preta!

Já quanto às mulheres e as evacuações melhor dirigirem-se todos para as portas do SMTT e da Prefeitura para satisfação fisiológica das imperiosidades. Mas qual, estamos no Brasil, e, pior que isso, em São Luís do Maranhão, onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo”! Como estava certa a Beija Flor no desfile da Sapucaí este ano: as sinhás e os sinhôs continuam vergastando o lombo do povo! Que não pode mais nem mijar!…

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O novo “balança, mas não cai”

Ao comentar a solenidade de troca siamesa de ministros e líderes do governo no Congresso Nacional, inspiração da presidente(a) de plantão, evidentemente obedecendo ordens superiores, embora seja a mandatária mor do país, o jornalista Carlos Chagas, no Jornal do SBT, declarou que Dilma estava como a síndica de um prédio, sem permissão de frequentar os andares superiores.

Boa sacada! Os andares de cima são reservados para quem ainda se julga construtor do imóvel, embora ao longo de toda a vida não tenha erguido sequer uma pocilga.

Diante disso, lembramo-nos imediatamente de antigo programa radiofônico da Rádio Nacional, se não nos falha a memória, o humorístico “Balança, mas não cai”, posteriormente levado para a TV Globo. Isso num tempo que ainda não haviam as chatésimasFMs, com sua linguagem matraqueante, desgramatical e seus programas de cultura indigente.

Só quehá uma grande diferença: no antigo “Balança”, o redator e produtor Max Nunes nos desopilava o fígado a cada quadro com mais de dez graças, e desgraças mil nos impõe a cada dia o”Balança” do PT planaltino, ao longo dos quase dez anos de sua implantação, com um elenco de canastrões que vão de diretor, produtor e figurantes, milionariamente pagos com o nosso. Sem falar nos porteiros, guarda costas e lambe solas.

Além de tudo, eles moram de graça nos apartamentos do prédio, usando-os para conchavos, esconderijos de grana alheia debaixo dos tapetes, dos sofás, e, não poucas vezes nas cuecas,com receio de serem afanados uns pelos outros, princípio elementar dos mafiosos de cá.

Quanto á bulha das cotidianas festas, se alguém ultrapassa os limites diante dos vizinhos, lá se vem a punição “exemplar” por parte da síndica: troca de apartamento com os parentes vermelhos e continua tudo como dantes, todo mundo no mesmo andar. Aliás, esta é uma regra que nunca poderá ser ultrapassada pelo marionetismo plantonista cúmplicesob pena de expulsão do luxuoso apartamento gratuitamente ocupado e obtido só Deus sabe como.

E como riem os primos ricos dos primos pobres, estes que além de pobres são completamente idiotas, porque são eles que enriquecem aqueles, ludibriados com a falacidade de promessas nunca cumpridas mas sempre repetidas, numa massificação de propaganda nunca vista talvez nem mesmo nos faustos do hitlerismo.

E a cegueira é tão grande, a mentira tão amanteigada que ninguém consegue ver um palmo sequer diante das ventas para perceber o afundamento em todos os quadrantes do país.

Até no futebol, que já foi orgulho nacional com Pelé, Garrincha e companhia, estamos indigentes, aureolando como craques Neymar, Adriano, patos, gansos e outros de grasnidos menos audíveis; ou concebendo como herói, no lugar de Fitipalldi, Piquet e Senna, o lesmanticoBarrichelo, que ao longo de 19 anos nunca foi campeão de F1, embora a ofegânciaesguelada daquele antipático e azarento narrador global.

É a era cefalópode, com teixeiras, manos, bolsas eleitoreiras, loterias, dízimo pastoral, tudo companheiro! De quebra crac, merla e violência, filhos dos “programas sociais” do ócio!

É o momento do ministro da pesca imposto pela bancada do macedônico usurpador e usurário da palavra divina, que, do alto da sua “competência “ declarou publicamente, no dia da posse, que dali para diante iria “conhecer melhor a minhoca”.

Cuidado, angelical excelência! Conheça, mas não pegue: ela pode se zangar!… ÊtaBrasil…

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Pontapés na bunda

Em declarações recentes na Europa, o secretário geral da FIFA achou conveniente que os brasileiros levassem “um pontapé na bunda” com o fito de abreviarem as obras para a Copa do Mundo de 2014, que andam aqui a passos de Barrichello.

Nada mais justo;porém faltou ao declarante a separação do trigo e do joio, porque as bundas populares já andam calejadas de tantos pontapés que nos dão os poderosos.

Daí que deveriam ser apenas os bumbuns oficiais o alvo certo dos artelhos justiciadores. Mas nada disso lhes importa, que essa história de atraso é apenas uma já manjada desculpa para a roubalheira anunciada com os superfaturamentos às vésperas do evento esportivo,“em nome da honra nacional”, quando, na verdade, são em nome do empanturramento  dos gazofilácios companheiros.

E o povo que se dane, que morra atropelado, já que a birita, por ordem dos “patrões”, vai rolar solta! Hic!…

Que se dane esse povo que a toda hora leva pontapés no traseiro com a desordem institucionalizada pelaascenção vermelha.

E vamos a alguns pontapés dessa trupe: os programas sociais eleitoreiros e desmoralizantes das famílias de baixa renda, com a necessidade da prostituição parideira em troca de míseras moedas; a roubalheira ministerial sem a punição efetiva e sem a devolução dos milhões roubados do povo (convém notar que alguns ministros agentes das falcatruas sequer foram “punidos”com férias a título de demissão, mas, ao contrário, continuam fazendo parte das inócuas caravanas presidenciais, como firulistas aliados); a imposição grosseira para disputar a prefeitura de São Paulo daquele que deu as cartas na Educação da era cefalópode, e nos colocou nas últimas posições no elenco mundial, sem falar nas falcatruas do Enem e outras, como se nas hostes do PT não houvesse, mesmo procurando com a lupa do Palomar, alguém mais adestrado para o cargo; a continuação do Teixeira, acusado mundialmente de corrupto, à frente da CBF; a balela de sexta economia do mundo, quando temos um dos salários mais baixos do planeta, um contingente de mais de vinte milhões de brasileiros abaixo de linha da miséria absoluta, crianças morrendo de fome, mães de parto à porta dos hospitais e algumas das cidades mais violentas da terra; de quebra, somos rota e entreposto do escoamento de drogas para qualquer destino; a certeza evidente de que o crac, filho dileto do bolsa família é hoje o maior dos males do país, ardilosamente ignorado por quem deveria combate-lo, para não melindrar possíveis bancadores de eleições amigas.

Apenas uns poucos e evidentes chutes nos traseiros plebeus, que os dos e das bacanas, quando e se atingidos, recorrem aos implantes de silicone para disfarçar os hematomas.

Dessa forma, até sem querer, representam um retrato sem retoques do Brasil de verdade, não esse das propagandas caras e oficiais: feitio de bumbum macio, rotundo e apetitoso por fora, que na verdade esconde um “traseiro paraguaio” que despencará em breve, quando deixarem de amanteigar os balanços fajutos das finanças tupiniquins.

Só para lembrar: produzimos mais de 35 milhões de toneladas de grãos, mas, sem infraestrutura para escoamento interno, estamos importando arroz do Equador.

Pode? E ainda pagamos os impostos mais altos do mundo para sustentar essa curriola! Axé! É nóis!…

PS.: Parabéns merencórios para as insubstituíveis e adoráveis mulheres, em extinção pela concorrência feroz dos que querem ser e das que querem deixar de ser. Êta “modernidade”!…

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Autopatas e sevandijas

Segundo alguns historiadores, Átila, o rei dos hunos, mais conhecido como Flagelo de Deus, bárbaro conquistador do mundo de então, estava às portas de uma cidade que fatalmente destruiria em seu furor selvagem, quando lhe apareceu um dos generais do exército contrário que covarde e desertor, lhe propôs, em troca da própria vida, aliar-se a ele e conduzi-lo aos pontos vulneráveis da paliçada defensiva dos seus, facilitando assim mais uma vitória do grande huno.

Mirando-o com desprezo, Átila chamou dois soldados seus e ordenou que lhe cortassem a cabeça, retalhassem seu corpo e lançassem os pedaços no deserto para servir de alimento aos abutres. Segundo ele, o soldado que deserta da luta e alia-se ao adversário, mesmo para salvar a própria vida, não merece dó nem compaixão.

Lutar com honra e morrer com glória é o dever do verdadeiro combatente. Bárbaro e cruel ou justo e honrado?…

Preferimos não responder, mas se os princípios atilianos fossem aplicados nos dias de hoje, principalmente entre a classe política, os aterros das ribeiras estariam coalhados de cadáveres insepultos.

Até parece que os princípios éticos e morais dessa gente são meras figuras retóricas de chantagemdas massas que ainda acreditam nas balelas desse ludíbrio.

Nem mesmo a lembrança dos feitos de certo general, tombado em combate, merece consideração, embora tenha sido à sua sombra que se impuseram alguns, na ocasião travestidosde valorosos e leais soldados, escondendo a autopatia latente e ora exposta. Nada de idealismos e pertinácia. Apenas a volúpia do compartilhamento das honras que nunca lhes couberam.

Despreparados e sem comando após a partida do comandante, ao invés de se aprestarem para novas batalhas em defesa da honra do seu exército, ei-los agachados e sorrelfos, promovendo a dissipação da tropa a quem diziam pertencer, com o intuito de entregam-na, sevandijas, ao adversário que supõem futuro vencedor, para, como anteriormente,apoderarem-se dos lucros de uma partilha que nem sabem se virá, quando melhor seria a escolha de um novo general, sem nódoas de conduta, em contraponto às manchas expostas do adversário, para então  todos juntos, uníssonos, lançarem-se  à refrega sob os toques antigos de novos clarins, que anunciariam, de forma gloriosa, a recondução da tropa aos campos de batalha.

E o velho general falecido certamente estaria entre eles, feliz pela felicidade de ver que o sonho não acabara! Que não se enganara na escolha dos seus! Pena que a verdade seja exatamente outra: os seus escolhidos, os que sempre se fartaram na sua mesa, hoje se voltam contra aqueles a quem deveriam respeitar, pelo respeito que juraram ter ao comandante.

Nada mais triste que constatar a veracidade do dito popular que sentencia: “a ausência do leão faz guariba dar risada”. Mas isso não deveria valer apenas no reino dos irracionais brutos, instintivos e sem sentimentos? Deveria!

No mais, dizer o que? Nada, que em casos assim o nada é muito mais que o tudo possível!

Em verdade, apesar de nossas flagrantes divergências, como gostaríamos que tudo isso fosse apenas um conto de bruxas, ou frutomodesto de modesta imaginação!…

 

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Arroz de Cuxá e Urubú de Ribeira

E deu o que todo mundo com um mínimo de inteligência esperava! Felizmente com o arroz de cuxá caribenho em que caricaturaram nossa São Luís, na Sapucaí. Todos sabem que arroz de cuxá não existe.

É uma invenção da modernidade que diz ser arroz cozido com folhas de vinagreira nosso tradicional arroz com cuxá, feitos separadamente, porque arroz é um prato e cuxá outro.

Juntando-se as iguarias, aí sim está o arroz com cuxá, ou de cuxá, como queiram. E cuxá é feito com vinagreira cozida batida na tábua com faca, gergelim torrado e socado no pilão com camarão seco e farinha idem; a pimenta é a critério de quem faz.

Pois foi o falso arroz de cuxá que a Beija Flor levou para a Avenida, ou seja, uma São Luís travestida de baianice caribenha, tocada a chicote dos sinhôs e das sinhás, cacuriarizada, sem a poesia que a envolve, sem o saber dos seus intelectuais, sem o reconhecimento à sua arte nas mais diversas vertentes, como teatro, poesia, música, pintura, ludismo, banzo e outras coisas, fruto de ummiscigênio cultural colonizador que lhe possibilitou, com inteira justiça, ser Atenas Brasileira.

E não venham culpar a Beija Flor, que seus dirigentes basearam-se, certamente, nas informações dadas pela intelectualidade oficial politiqueira, esta mais preocupada com sua permanência nos cargos que desmerecidamente ocupa, com o tilintar das moedas nas algibeiras, com as viagens à custa do dinheiro do povo, com o esguelhar dos bichos em terras alheias que com a história de sua terra, que não amam porque não conhecem.

De veraz, só os lombos curvados para as cotidianas chicotadas, os beija mãos e os “sim, sim, sim”…

Já por estas bandas, a balofice desvairada achou nos monturos das ribeiras uma espécie de “urubúxémxem”, como diziam os antigos, e mandou-o cravar as garras aduncas na arte dos tradicionais. Pouco à vontade no camarote dos julgadores, grasnava, sepulcral, sobre a beleza que via, mas não podia entender. Não era carniça, era Arte!

E, como a raposa lograda pelaaltura das uvas acima do seu inútil pinoteio, enlameou-se no charco da própria microscopia e vomitou aquilo que lhe é pertinente por merecimento, para tristeza do Belo e alegria dos seus iguais, gordurentos, balofos e inexistentes, orquestradores de uma funérea quase linda festa de saltitantes convivas. Nada a acrescentar nesse retrato patético de suposta gestoria cultural.

Mas a tempestade irá embora, o sol virá com as cores da claridade e os rapinantes serão devolvidos aos seus monturos.

Afinal, a palmeira é dos sabiás; e o charco é dos batráquios!…

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Carnaval, sonho e pesadelo

Despertei com o rádio de cabeceira tocando “Amélia”, do Ataulfo e Mario Lago. Sem acreditar no que estava ouvindo, lembrei-me que hoje é domingo de carnaval. Consultei o relógio: eram dez horas da manhã.

Levantei-me de ímpeto e desabalei para o chuveiro. Havia marcado um encontro com velhos amigos de outros carnavais. Em pouco tempo já estava carnavalescamente trajado, bermudão branco, chinelas idem, a inseparável camisa listrada,“e saí por aí”, como disse Assis Valente.

Encontramo-nos no Areal, hoje Monte Castelo, e, como previamente combinado, entramos na primeira quitanda, compramos mamadeiras grandes com chupetas, uma lata de talco para bebê de respeitável tamanho, municiamos as mamadeiras com cachaça Aliança e guaraná Jesus, tomamos logobons tragos cada um, empoamos a cara e fomos ao encontro do bloco de fofões “As Timbiras”, composto só de mulheres, que carnaval sem mulher pode até ser bom para alguns, mas para nós da velha guarda, jamais.

As cordas estendidas no meio fio da Avenida Getúlio Vargas delimitavam o acesso dos assistentes. Após algumas visitas em casas de amigos, já pela tarde, assistimos as Escolas de Samba Imperador do Samba, Duque do Samba, de Cabo Ery e Garrinchinha, e do amigo Pedro, ambas da Rua da Vala, além de Liberdade do Samba e Brasília do Samba, de Leonardo e Côxo, todas do antigo Matadouro, hoje Liberdade.

Nas praças Deodoro e João Lisboa, vimos Flor do Samba, Turma do Quinto, Leão do Samba, Turma de Mangueira, Águia do Samba e outras, além da Casinha da Roça, ursos, fofões, macacos, cruz diabo e os corsos, com suas belas funcionárias das indústrias de tecidos. Além, é claro, dos populares blocos de sujos e de homens fantasiados de mulher.

Já pelas 22 horas, só, resolvi entrar no “assalto” do Mundiquinho, pai do nosso estimado radialista Antônio Moreno. Um cheiro de rodouro, cigarro e mulher bonita espalhava no ar um indescritível perfume de carnaval. Sentei-me em uma das mesas, pedi uma cerveja “canela de pedreiro”, enchi o copo, e quando levantei a vista descobri uma “dominó” de meia máscara, deixando à mostra uma boca vermelha, como aquela da “Dama do cassino”, gravada por Chico Alves, Carlos Galhardo, Francisco Petrônio e outros grandes intérpretes.

Fiz-lhe um aceno e em breve estávamos rodopiando no salão “Mamãe eu quero” e outras marchinhas dos tempos eternos.

Aí, como de propósito, tocou “Máscara negra”, do Zé Keti! Segurei o desejo até “vou beijar-te agora, não me leve a mal…”. Mas, quando ia tocar seus lábios sorridentes, um barulho ensurdecedor invadiu o salão. Droga! Logo naquele instante! Que azar!…

Despertei alucinado. Fora um sonho! Diabos! Corri para a janela e ainda vi, dobrando a esquina, um paquiderme de som tocando axé e reggae em milhares de decibéis,acompanhado por uma chusma seminua e enlouquecida, quebrando garrafas vazias no asfalto, poluindo o ar com largas baforadas caribenhas,e dando vivas ao carnaval dos 400 anos de São Luís.

Vivas?…

 

 

 

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A flor é de quem beija

Somos participe, modesto colaborador de samba e enredo, da Mocidade Independente da Ilha, do bairro da Cohab, ora às voltas com as imensas dificuldades surgidas para apresentar-se dignamente na passarela, apesar dos chistes desalentadores dos que nem sobem nem saem de cima. Mas, se Deus, Baco, exús, giras e o “povo do tempo” ajudarem, haveremos de conseguirjá que estes últimos, por analogia, ajudam muito mais do que os que deveriam, por dever de ofício, fazê-lo.

Afinal de contas, trata-se de um evento tradicional e público, no qual os poderosos se escudam para propagandearem-nos como um povo festivo, quando, por absoluta falta de motivos, somos, apenas, um povo festeiro e habituado com o verdadeiro zé pereira. Quiçá para mascarar o descalabro, sorrir para a tristeza e ludibriar, embora momentaneamente, a trágica verdade.

Pior, é que o tupiniquismo acocorado reprime com azedume o “luz para todos”, mote do enredo da escola e efígie de propaganda da CEMAR, dizendo-o proposital para conseguir algum apoio financeiro para a Mocidade, como de fosse isto um crime de lesa- pátria, embora a empresa responsável pela arrecadação de milhões e milhões do nosso não haja dado sequer um tostão furado, como se poderia pensar.

E os microscópicos ainda acusam as entidades carnavalescas daqui de falta de organização e outros babados para justificar suas sandices.

Tudo seria risível se não fosse nauseante saber que os tais “críticos” são os mesmos que aplaudem as atitudes useiras e vezeiras das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, que captam milhões por ano, têm quadras, apoio oficial, contam com artistas de renome em seus quadros, são muito famosas aqui e alhures, mas todos os anos montam seus enredos sobre tudo aquilo que lhes possa render dinheiro para enfrentar despesas.

Exemplo atual disso é a Beija Flor carioca, campeoníssima, que, a título de homenagear os 400 anos desta cidade, locupletou-se com alguns milhões do povo, dinheiro esse que melhor empregado seria em nossas escolas e em nosso carnaval, inclusive eleitoralmente, porque são os daqui que votam nos doadores.

Vá lá entender!…Mas a razão nos concede o direito de discordar, porque alguns momentos alusivos a tal “Jamaica brasileira” na Sapucaí, nada acrescentará ao desconhecimento que o Brasil tem, atualmente, desta Atenas brasileira, sem nada a ver com o débil espaço cultural caribenho. E nem bichos ou eiras mudarão o fato.

Quanto a nós, resta a triste certeza de que beijo e flor ajudam muito a encontrar a chave do cofre. Dependendo, é claro, da flor e de quem a beija!…

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Historietas brazucas

A ânsia de possuir polidez sem a naturalidade do verniz por parte de alguns que, infelizmente, aboletaram-se nos coxins do poder em função de uma cegueira coletiva nos tem colocado, enquanto cidadãos, cidadãs e pátria, abaixo da linha do fundo do poço, ou seja, além do limite conhecido e permitido de tudo o que atenta contra a moral, o civismo, os costumes, a educação e tudo mais que se presume mínimo em termos de civilização, e nos permite, embora a contragosto, contar essas duas historietas, já comuns em nosso cotidiano.

Durante os últimos anos em que o afagado lulistaHadade esteve à frente do Ministério da Educação, o tal ENEN foi um primor de deseducação e desonestidade no trato com a coisa pública (leia-se, dever de ofício e dinheiro).

Em fins do ano passado, alguns alunos prejudicados pelo malfadado dispositivo de ludíbrio, impetraram ações na Justiça para rever os testes a que se haviam submetidos, e lograram êxito em parte, embora o batimento dos pezinhos do ex ministro, imposto pelo tutor do descalabro como pré candidato à Prefeitura de São Paulo.

Sem alternativa, o MEC encaminhou notas justificadoras, assinadas pelos mestres que corrigiram as provas de redação, e, para surpresa de alguns e confirmação de outros, as correspondências oficiais estavam eivadas por grosseiros e vários erros gramaticais, evidenciando que os lentes de há muito deixaram de ser ou nunca foram íntimos da “última flor do Lácio” como a chamou Bilac. Nada a comentar, mas será que os doutos mestres sabem quem foi Bilac?

Quem há(da)de saber!… Uma visita ao Aurélio, Caldas Aulete ou Francisco Azevedo se faz urgente, obrigatória e imperiosa para o bem da educação.

O já esquecido escândalo (tantos são eles!) com o dinheiro público envolvendo o ministro da Integração, se não nos falha a memória, um tal de Pimentel, que enviou a grana do povo para sua cidade natal, Recife, onde “coincidentemente” será candidato a Prefeito, fato concebido como normal pela ex faxineira, considerando-se que nada fez contra, gerou a outra historieta.

Impune, o Pimentel demitiu, a bem da moralidade pública, o diretor do DENOCS, seu subalterno, em função deste haver enviado para seu berço de origem alguns milhões de reais do erário público, certamente tomando como exemplo seu chefe e ainda Ministro. Os sinos da propaganda bimbalharam estrepitosamente diante desse rasgo moralizador!

E todo mundo já esqueceu que o chefe gatunou mais que o subalterno, e que, por causa daquele, brasileiros(as) estão morrendo vítimas de inundações e enchentes! Mas eles dão um jeito em tudo! Novas verbas do nosso bolso, que certamente terão o mesmo destino eleitoreiro, estão sendo providenciadas, as pessoas continuarão morrendo à mingua e São Pedro será culpado!…

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço! É o lema dos capo da máfia brazuca! E pensar que já fomos um país de gente honrada!…

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