São Luís | Maranhão
 
   


João Bentivi
 



Resposta ao Governo do Maranhão
O poço não tem fundo
Metropolizar sem conversa fiada
Dois Josés
Resposta ao Doutor Pêta
O mundo é do bispo
Abrindo Caixas Podres
A volta midiática do aborto
Nota solta 1
Deu a louca nas elites, graças a Deus
Vendilhões da Justiça
Dino sem máscara
Como é bom ter o Lula
A felicidade se chama Obama
Em nome de Obama
É hora de caldo de galinha
Debates e orgasmos
Respeito aos mais velhos
Os vices não são iguais
Fora de foco

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09/11/2012
Resposta ao Governo do Maranhão

      Há vários dias a imprensa sarneisista fez e faz festa com a doação de uma passagem, em meu nome, em um dos dias do julgamento do processo de cassação do ex-governador Jackson Lago.

Por mais incrível que pareça, soa meritório que a doação de uma passagem aérea para um cidadão maranhense cause tamanho frenesi.  Evidentemente, isso não se deve à passagem, mas ao valor moral do cidadão que a recebeu, que não tendo nenhum passivo ético ou penal, alguns honoráveis canalhas tentam colocá-lo na vala comum em que jazem trupes sem fim de honoráveis bandidos. Entretanto concordo: foi uma tolice aceitar a tal passagem.

A questão principal, porém, é outra. Uns poucos honoráveis canalhas da imprensa, incomodados por motivos hormonais ou de gênero, têm tentado, de maneira marginal e diabólica, desmoralizar a minha postulação, quando do episódio do processo de cassação do ex-governador Jackson Lago.

A minha petição, conforme expliquei e pode ser lida por quem quiser, pedia a ANULAÇÃO DO PLEITO E NOVAS ELEIÇÕES. A maior parte do governo Jackson Lago, incluindo o próprio, não desejava o êxito do meu pedido, afinal, todas as postulações jurídicas do ex-governador eram no sentido de apresentar a lisura do pleito e, em conseqüência, a manutenção do seu mandato.

Alguns dos seus aliados, bem poucos se diga, entendiam que, dos males, o menor seria nova eleição. À moda de que para o perdido, todo caminho leva ao céu, entenderam que, entre a senhora Roseana assumir e haver novas eleições, o melhor seriam novas eleições. É a razão da tal passagem.

Muitos e muitos milhares de maranhenses já ganharam passagens de órgãos públicos e não fui o primeiro, como também não serei o último.  Reiterando o dito no segundo parágrafo, muito me arrependo de tê-la aceito e se fosse possível, restituiria em espécie ao governo do Maranhão, até porque, em minha vida, conheço o Brasil inteiro e boa parte do mundo sem ajuda oficial, com o fruto do meu trabalho, fato que muitos poucos desse governo e dos anteriores podem afirmar.

Entretanto resta-me um grande consolo. Caso a minha petição tivesse tido a vitória pretendida, teria sido a passagem aérea mais bem paga da história da humanidade e o Maranhão inteiro construiria obeliscos em meu favor: teríamos, pelo voto, impedido o retorno daqueles que o jornalista Palmério Doria denomina, muito apropriadamente, como HONORÁVEIS BANDIDOS.

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09/10/2018
O poço não tem fundo

 Tive tudo para ser avesso ao futebol. A Assembléia de Deus, nos meus tempos de criança, não só abominava esse esporte como todos os outros, e eliminava inclemente a todos que ousassem praticá-lo. Um pastor, no alto da intransigência e ignorância, pregou essa preciosidade: “irmãos, futebol não é de Deus, “fute” é o diabo e “bol” é bola, assim, futebol é diabo-bola”. Ouviram-se glórias a Deus e aleluias.

Como bem cedo, em minha vida, já tinha lido a Bíblia e, mesmo criança, entendi que não havia, no texto sagrado, nada contra o futebol, nunca fui na onda da ignorância e intransigência e jogava a minha bolinha, escondido decerto, mas jogava.

Por influência de meu irmão mais velho e pela ondas do rádio, tornei-me, boliviano e flamenguista.

Aos 14 anos cheguei a São Luís e a paixão pela Bolívia querida só aumentou. Não perdia um jogo no Nhozinho Santos e era uma verdadeira ginástica aos domingos: assistir o jogo e chegar sete e meia da noite ao culto, já que era músico e regente do coral da igreja. Conseguia.

Ao passar no vestibular de Medicina e tornar-me professor do CIPE, do meu saudoso amigo Marcus Venícius, além de torcedor, tornei-me sócio proprietário e membro do Conselho Fiscal, na gestão do Marcus. Aí, além de torcer, contribuía financeiramente com o clube. O nosso goleador Cabecinha (os mais velhos lembram-se muito bem), sem saber patavina de Biologia, participou de muitas das minhas aulas, sob forma de bicho.

Quando voltei da Residência Medica, o futebol maranhense começava o seu declínio, principalmente pela politização partidária, ou melhor, por políticos, muitas vezes alheios à história dos clubes, tentarem fazer dos mesmos trampolins eleitorais. O resultado não se fez esperar, acrescentando-se a mumificação do comando da federação, na figura do senhor Alberto Ferreira, que teve professor para tudo, exceto para fazer do futebol do Maranhão um futebol pelo menos comum.

Por essas safadezas, como eu, há muitos milhares de maranhense que abandonaram os estádios. Tenho, às vezes, um sentimento de culpa de consciência: meus filhos não torcem por nenhum clube do Maranhão.

Já tive vontade de, vencer minha indignação, e voltar a ativa como torcedor. Já pensei, inclusive, de mudar de rota e ajudar ao Moto ou MAC.  Mas como uma ducha gelada em paciente com febre, vejo o sofrido futebol maranhense ser notícia internacional, da pior de todas as formas: EXEMPLO DE SACANAGEM PURA E SIMPLES!!!

Para piorar, a suspeita é que não se tratou de um caso único, pois tanto o Moto, como o Viana usaram dos mesmos espúrios artifícios: SACANAGEM DUPLA!

Em toda minha vida de jornalista, mais de vinte anos, nunca tinha usado em um texto a palavra “sacanagem”, dessa vez uso-a para evitar vernáculo pior, tamanha a minha indignação.

Entendo que nesse futebol do Maranhão existem algumas pessoas sérias, a exemplo dos amigos Petrônio e Itamar, mas é evidente que a estrutura futebolística do Maranhão está definitiva e irremediavelmente corroída e corrompida. Não é possível remendos.

Como no passado, na arena convivem torcida e animais. A diferença é que o Coliseu tinha leões e, por nossos estádios convivemos com Mus musculus, Rattus novegicus e Rattus rattus.

Espero que os ratos não se sintam ofendidos!

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09/10/2005
Metropolizar sem conversa fiada

METROPOLIZAR SEM CONVERSA FIADA

João Melo e Sousa Bentiví *

Nos últimos dias acirraram-se as discussões sobre a metropolização da Grande São Luís e uma parte da imprensa, clara ou veladamente, reverberando discursos de matiz claramente eleitoral, coloca o prefeito de São Luís, senão como vilão, pelo menos como entrave do processo.

Os encontros ditos de trabalho capitaneados pelo prefeito de São José de Ribamar não deixam dúvida, na ótica dos prefeitos que se reúnem e de grandes setores da imprensa, os prefeitos da ilha estão divididos em dois grupos: responsáveis e irresponsáveis com a metropolização.

Pela relevância do assunto, essa matéria pretende ser, além de partidariamente imparcial, também um início de leitura do problema e, quem sabe, acrescentar elementos novos à discussão, desejando que possíveis críticas sejam, também, eminentemente impessoais.

Tenho dito que a criação da cidade foi um dos momentos mais brilhantes da mente humana. A cidade, esse elemento vivo, febril, pujante facilitou a convivência humana e resolução de problemas que pareciam insolúveis. Mas outros problemas apareceram e alguns deles deixaram de se circunscrever aos limites territoriais da urbi e adentraram em outros. Por serem comuns e escaparem das soluções isoladas, a mesma mente humana que criou a cidade, também criou a metropolização. É fenômeno mundial.

No Brasil, o fenômeno se iniciou nos anos 50, quando as nove cidades mais populosas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba, Porto Alegre e Belém – possuíam 18% da população brasileira, em 1970, 25%, em 95, 31% e hoje, com certeza, esses grandes conglomerados urbanos chegam a 1/3 da população brasileira.

A primeira região metropolitana foi o Rio de Janeiro, criada pela Lei Complementar Federal 14, de 08/07/73. Agora temos legalmente 26 regiões metropolitanas e 413 municípios metropolitanos. Em todos esses, os problemas são mais ou menos os mesmos: solo urbano, segurança, limpeza, transporte, habitação, educação, saúde, lazer e conurbação. O novo ordenamento jurídico brasileiro recepcionou a metropolização.

No Maranhão, a idéia de metropolização se iniciou com a aprovação da Nova Carta Constitucional do Estado, em 1989, regulamentada em 1997, sendo essa regulamentação modificada em 2003, salvo engano, com a introdução de Alcântara no conglomerado da Grande São Luís, constituída, assim, pelos municípios de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa e Alcântara.

Mas não saiu do papel. Por quê? As razões extrapolam laudas, destacando-se falta de vontade política, desconhecimento, apatia da sociedade, desconfiança e, sobretudo, o medo dos gestores municipais de perderem poder com a metropolização. Em resumo, se a sociedade não se mobiliza, os vereadores não se motivam e os prefeitos não desejam, é impossível qualquer processo de metropolização.

De repente o assunto metropolização ganhou letras e importância e o noticiário, culposa ou dolosamente, tentou mostrar as seguintes verdades: a) a liderança do processo estava com o prefeito de São José de Ribamar, Luiz Fernando; b) o prefeito de São Luís, João Castelo era, pelo menos, pouco interessado; c) que a região metropolitana seria muito maior que a previsão legal e englobaria, além dos citados, os municípios do Munin, os da BR 135 e os do Vale do Mearim e baixada do Maranhão, em resumo, mais de 1/3 do estado. Cada ponto merece uma análise.

Como a metropolização da Grande São Luís não passa ainda de uma carta de intenções trazer Rosário, Bacabeiras e Santa Rita, por exemplo, nesse estágio que é, no máximo preliminar, determina, no melhor dos raciocínios, açodamento e em outra perspectiva, ação espuriamente eleitoreira, para não ser mais duro.                

O prefeito de São José de Ribamar, Luiz Fernando Silva é uma das figuras promissoras da política do Maranhão: jovem, inteligente e trabalhador e provável vice, em hipotética chapa governamental. Goza de minha admiração pessoal e familiar. Entretanto a sua inteligência deveria alertá-lo de que com o peso específico que tem, São Luís nunca estará a reboque do processo. As articulações do prefeito Luiz Fernando com os municípios da Bacia do Munin, por exemplo, mesmo que não seja essa a razão, parecem simples e pura provocação. Luiz Fernando poderá convencer até Imperatriz, mas sem a participação do município de São Luís, a metropolização da ilha jamais prosperará. Um fato, porém, é salutar: o prefeito João Castelo é entusiasta da metropolização.

Entretanto um grande passo poderá ser dado. É a oportunidade de se sair da teoria, da verbalização e do discurso para a prática, eficiência e efetividade. Basta querer! Vejamos.

Um dos entraves que sofre São Luís é o IBGE. Desde 1989, eu, Nonato Cassas, Evandro Bessa, Murilo Freitas, Murilo Félix, Basileu, Jayron Guimarães, finado Altair Rosas, entre outros, encabeçamos um movimento que visava provar ter São Luís um milhão de habitantes. Àquele tempo era uma desconfiança, vinte anos depois é um disparate e uma agressão desse incompetente IBGE, quando diz que só temos 997.000 mil pessoas.

Assim, por não se comprovar o quantum de um milhão de ludovicenses, São Luís é punida de maneira inclemente por não receber os recursos compatíveis com sua população real. Creio que esse fato pode ser o ponto inicial para se demonstrar claramente que metropolização não é falácia, discurso mal intencionado ou coisa similar. Vamos esclarecer.

Os quatro municípios de São Luís convivem com o fenômeno da conurbação: as cidades crescem além dos seus limites ou absorvem conglomerados de outros municípios limítrofes. As entidades públicas que deveriam ter resolvido esse problema – Governo do Estado, Assembléia Legislativa, prefeitos municipais, Câmaras, sociedade organizada e o IBGE, por desídia ou qualquer outro argumento nada fizeram de efetivo. A Assembléia Legislativa do Maranhão foi desmoralizada, ano passado, pelo chefe do IBGE, seu Guedelha, que fez pouco caso, não compareceu a nenhuma convocação e ficou tudo pelo dito não dito.

Abre-se, agora, uma oportunidade de ouro! É a hora de se respeitar o povo! É hora de se restabelecer a verdade, que o funesto IBGE solapa! É hora do Governo do Estado mostrar que respeita São Luís! É hora dos vereadores mostrarem a tão esquecida cara de defensores do povo! É hora dos prefeitos da ilha, que estão tão preocupados com Rosário e Bacabeiras se preocuparem com São Luís, enfim, é hora do prefeito Luiz Fernando, ludovicense de nascimento, mostrar que seu interesse por metropolização não é falacioso, vil e eleitoreiro, mas justo, sério e honesto.

Assim, basta que a Assembléia escolha uma só questão de conurbação, entre dezenas existentes, fixe os limites de maneira absolutamente legal, de forma que se acrescente 3.000 pessoas a São Luís e teríamos o tão sonhado milhão.

O fundo especial poderia ser o primeiro grande aporte de recurso para a metropolização, os prefeitos da ilha, principalmente o senhor Luiz Fernando comprovariam indelevelmente que o discurso da metropolização não era mal intencionado e, de cara, teríamos dado o primeiro grande passo de integração que essa Grande São Luís, que todos nós amamos, tanto necessita.

·        Medico, jornalista, advogado, cronista, músico e poeta.

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12/08/2009
Dois Josés

Quando era articulista semanal do Jornal Pequeno, diário de oposição do Maranhão, em 04/01/03 e 11/01/03, escrevi duas matérias, respectivamente, UM BOM JOSÉ e UM MAU JOSÉ. O bom José tratava-se do professor, amigo e gênio José Maria do Amaral. O mau José era outro! O bom José havia falecido e, creio, estava e está nos limites celestiais. O mau José estava e ainda está vivo, vivinho da silva, muito vivo!

Quase sete anos após, o leitor poderá não reconhecer, na reprise dessas crônicas, o bom José, mas o que escrevi, então, sobre o mau José, guarda, creio, uma estranha atualidade.

UM BOM JOSÉ

 

        E agora, José? A festa acabou?

        São muitos “Josés”. Bons, maus, mas esse era um José especial: José Maria do Amaral.

        Não há, nesse momento, homenagem póstuma. Essas sempre têm um cheiro de hipocrisia. Quando era vereador, apresentei proposta outorgando-lhe o título de CIDADÃO LUDOVICENSE, que, salvo engano, foi aceito por unanimidade. A enfermidade, então, impediu-lhe de receber a comenda. A Câmara Municipal, pela pletora de atividades, não lhe fez a entrega, porém ninguém, ninguém mesmo, por méritos, foi tão cidadão dessa cidade, como ele.

        Não nasceu aqui, por certo. Era de Luzilândia, Piauí.  Por motivos que só a providência explica, seu pai, Zebino Pacheco do Amaral e sua mãe, Maria José Costa Amaral deixaram o Piauí e aportaram, nesse pedaço de chão maranhense, chamado Viana.

        Não eram poucos. Desse abençoado casal, treze filhos lhes nasceram. O menor em estatura e o maior, pelo exemplo, era o José.

        Abriu caminho para todos os irmãos, principalmente os mais novos. Foi interno no Colégio Maristas e, depois, estudante de Farmácia. Havia poucas faculdades naqueles tempos e, também, já era muito difícil passar no vestibular.

        O pioneirismo de José Maria foi fundamental. Iniciou o primeiro pré-vestibular maranhense, com um único professor: ele. Sabia de tudo!

        Tudo que eu possa falar sobre o Curso José Maria do Amaral é simplório. Falam melhor as histórias de milhares de alunos, que por lá passaram, encaminharam-se na vida e tiveram sucesso. Falam melhor as centenas de professores, que ministraram conhecimentos e aprenderam as mais nobres lições de um professor de vidas. São filhos incontáveis, que no dizer da Bíblia, referindo-se a Abraão, são tantos como as areias do mar. Com orgulho, sou um desses grãos de areia!

        O magistério universitário foi mera conseqüência. Galgou todos os degraus, atingindo a Cátedra, o máximo permitido, então.  Entrementes construía dois enormes edifícios: uma família exemplar e uma multidão de amigos.

        A construção familiar, é conveniente que se diga, foi a quatro mãos. Sem pieguice, coube a Deus colocar, ao seu lado, Léa Mendonça do Amaral, uma mulher sem arroubos, palavra mansa, prudente, inteligente, firme e, principalmente, colorida pelo amor. Amor a José Maria, aos filhos e a todos nós. No dizer paulino, “amor sem medida”!

        Em verdade, o idioma tem poucos adjetivos para descrição pormenorizada de dona Léa, entretanto a Bíblia tem a chave para se entender a verdadeira face do conjunto Léa e José Maria: “pelos frutos, conhecereis a árvore”.

        Conheço os frutos, um a um: Luis Roberto, Silvia, Flávia e Amaral Filho. Sempre me considerei como uma espécie de irmão mais velho desses meninos. De três, fui, também, professor. Disse tantas vezes, em conversas formais e informais, que José Maria e Léa, genética e socialmente, foram perfeitos: aproveitamento 100%!

        Flávia o substituiu, com louvor, na cátedra universitária. Silvia mantém o espírito de educadora. Luis Roberto e Amaral Filho são médicos, como José Maria um dia desejou sê-lo. Nos meninos, o foi, em dose dupla!

        E os seus amigos? São tão incontáveis quanto às lições ensinadas. Quantas lições!

        Não tive condições emocionais de ver José Maria no sofrimento da enfermidade. A última vez que o vi, foi após uma das cirurgias de amputação, de um membro inferior. Saí absolutamente abatido. Preferi manter e mantenho José Maria no mundo intocável de minhas lembranças.

        Vejo-o discorrendo sobre os modelos de atomística, concentrações, pHs, oxidações, reduções e, uma das suas jóias preferidas: radioatividade.

        Vejo-o discorrendo sobre os grandes da ciência, com o conhecimento dos sábios. Eram íntimos seus Pasteur, Arrhenius, Darwin, Linneu, Pascal, Rutheford, casal Curie, von Braun, etc.

        Vejo-o discorrendo sobre filosofia, história e religião. Nesse caso, o seu espírito irreverente, tantas vezes, atiçou a ignorância dos religiosos ortodoxos, com comentários não convencionais de determinados acontecimentos bíblicos.

        Era divertido, pois somente os idiotas e obtusos não entendiam que José Maria era um homem de fé. A trajetória de vida assim o indicava. José Maria era e se sentia, portanto, um dependente da providência divina.

        Pode soar lugar comum, mas, mesmo respeitando a dor familiar, advogo que a passagem para eternidade de José Maria deve ser vista dentro da grandeza de sua existência: é eterno na genética e no seu exemplo.

        Volto à questão inicial. E agora, José? A festa acabou? Creio que não, mas só terei essa resposta, quando estiver, também, na eternidade.

        Pelo sim, pelo não, para nós, que convivemos com José Maria, será fácil imaginá-lo, no mundo espiritual, saudando os anjos, com o indefectível: Bom dia, futuros doutores!!!

EM TEMPO: É provável que, na próxima segunda-feira, trate de “um mau José”.

 

                        UM MAU JOSÉ

 

        Na última matéria, tratei de um “bom José”: José Maria do Amaral, agora, na eternidade, com os anjos.

        Hoje tratarei de outro José, ainda entre nós, longe dos anjos, repleto de diabruras. Sem dúvidas: UM MAU JOSÉ!

        A sua existência é um mar de inautenticidade, disfarces e sofismas. Nunca será igualado. Ainda bem: um é demais. Dois seriam insuportáveis.

        A confusão tem início na origem. Ninguém sabe bem se nasceu em São Bento, se criou em Pinheiro, ou vice-versa. Se nasceu em São Bento e foi registrado em Pinheiro, ou coisa lá que o valha! O fato é que nasceu e disso ninguém duvida.

        Na sua origem, há um fato belíssimo, que faço questão de destacar: a sua mãe. É aquilo que pode ser reverenciada como uma santa em vida. Poderia, à moda do profeta Elias, ser transladada para o céu, sem demérito para nenhum anjo e com honras para a eternidade. O traquino José não puxou à mãe!

        Outro reconhecimento tenho que fazer: a grande  inteligência e  um colossal oportunismo. Com a benfazeja e pouco ortodoxa ajuda paterna, introduziu-se na política e fez sucesso. Sucesso nunca alcançado por qualquer outro brasileiro, em toda história da república.

        O diabo é que sucesso nunca foi sinônimo de coerência, seriedade e transparência. Sucesso nunca foi sinônimo de ideologia, correção, amor ao próximo. E pior, esse sucesso nunca foi transferido para aqueles que deveriam, por lógica, serem por ele alcançado: o povo do Maranhão.

        Aí, nesse quesito, reside um dos maiores problemas da velhice do Sarney: não pode desmentir a história. Por causa disso, verificamos quase uma histeria em apontar, como sendo obra sua, qualquer coisa boa que venha para o Maranhão.

        Chega ao cúmulo de adulterar a história e tentar tirar casquinha da iniciativa privada, como no caso da tal siderúrgica, que aportará na ilha de São Luís. É uma coisa absolutamente ridícula!

        Porém a realidade social do Maranhão é o maior out-door da incompetência e maldade dos quase 40 anos de domínio sarneisista. Qualquer número do IBGE, insuspeito, portanto, desnuda a terrível realidade.

Não há espaço para catalogar tantos indicadores negativos, contudo, há um, indesmentível: segundo o Censo de 2000, existe 63% de maranhenses abaixo da linha da miséria. A coisa é tão dramática, que não basta, para governar o Maranhão, que o indivíduo seja uma boa pessoa. Um bom cidadão.

        O Zé Reinaldo é uma unanimidade nesse padrão: toda classe política o reconhece como uma boa pessoa. Eu também. A questão é outra. O Maranhão reclama mais que isso. Reclama um rompimento total e absoluto com o modelo sarneisista. Ainda que dona Alexandra entenda isso, o Zé Reinaldo ainda não tem estatura e estrutura para dizer sim ao Maranhão e não ao Sarney.

        E tem razão. Sarney trucidou a todos que ousaram lhe desobedecer. É mau. Muito mau!

        Além de mau, em outro quesito o Sarney é inigualável. Nem o nosso Anolis, vulgarmente chamado camaleão, muda tanto de cor. No caso do Sarney, cor significa comportamento, postura, lado, ideologia, etc.

        Somente Deus, onisciente, pode dizer qual o espectro ideológico do Sarney. De acordo com a conveniência pode ser tudo e de tudo. Se for preciso, de manhã será católico, à tarde muçulmano e de noite, judeu. Nos intervalo do almoço, dará gloria a Deus e aleluias, como bom pentecostal e, à tardinha, estará em um terreiro de macumba, quem sabe, em um bom papo, com Bita do Barão. Talvez o Capeta, por proximidade, explique essa metamorfose!

        Com a agilidade dos símios, sabe a hora de mudar de galho. A sua última conversão ao petismo é emblemática. Agora, caro leitor, faça futurologia e imagine um cenário fictício, no qual, em 2006, o FHC se tornasse imbatível e voltasse à presidência. Dou um doce para quem indicar o primeiro político a abandonar o Lula. Se você apontou José Sarney, ganhou o doce!

        Para encerrar, vou me ater a uma declaração desse cidadão, nos jornais, logo no Ano Novo: “NÃO TENHO INTERESSE EM REELEIÇÃO PARA A MESA DO SENADO!!!”

        Vejam se podemos admitir uma coisa dessas: o sujeito nem espera o dia 2 e tasca uma mentira em todos os jornais, revistas e TV. De Lula ao José da Silva, do papa ao Saddam Hussein, todos sabemos que a maior aspiração do Sarney é continuar presidindo o Senado, inclusive, nesse desastre político-ideológico do PT, nada mais óbvio que o Sarney, na presidência do Congresso.

        E por que o Sarney mente e disfarça tanto? Vamos procurar, à falta de melhor opção, a resposta na filosofia, literatura e religião.

        Sócrates, na República, considera que a mentira, dita pelos governantes, pode ser considerada lícita, caso vise a um objetivo maior! Por aí, Sarney estaria absolvido, exceto no objetivo: a vida inteira, esse cidadão só teve objetivos menores!

        Baltasar Gracián, em A Arte da Prudência, revela: “o mentiroso sofre duas vezes: nem acredita e nem é acreditado”. Salvo engano, as declarações do senador Sarney, estão bem à vontade, nessa frase de Gracián, exceto pelo sofrimento. De tão lugar comum, creio que mentir não traz nenhum sofrimento ao vetusto senador.

        A Bíblia, por sua vez, trata muito dos conceitos mentira e verdade. Ambos cabem no Sarney: tanto por amar a mentira, quanto por desprezar a verdade. O texto bíblico é da lavra do próprio Jesus: “vós pertenceis ao Diabo, e quereis executar o desejo dele. Quando profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e é o pai da mentira” (Jo 8:44). E no Apocalipse, de São João, está escrito: “ficarão de fora os cães, os feiticeiros e todos que amam a mentira” (Ap 22:14).

        Pelo sim, pelo não, dentro do maior espírito evangelístico e cristão, tal como o profeta e por amar a tua alma, admoesto: te cuida, Sarney, muda tua vida, enquanto há tempo para o arrependimento!

Deus não é um Lula ou semelhante “Zé mané”, para que possa ser enganado! Além do mais, diferente de muitos tribunais terrenos, DEUS É JUSTIÇA!

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10/08/2009
Resposta ao Doutor Pêta

No domingo, dia 02/08/09, fui personagem de uma nota, de absoluto mau gosto, no Colunaço do Pêta/JP. Nos melhores moldes do bom jornalismo e da cidadania, encaminhei um esclarecimento e esperava vê-lo publicado. Tal não aconteceu.

A resposta veio truncada e ininteligível, a ponto de as pessoas não entenderem nada. Estava difícil entender.

Sem querer polemizar, até porque essa polêmica se transformaria, para mim, em um perder tempo sem fim, em um momento em que a história brasileira e o Maranhão, em particular, guardam assuntos mais importantes, publico, no espaço democrático desse blog, a resposta tão traiçoeiramente amputada.

Senhor, doutor Pêta,

Tenho por hábito, como jornalista e cidadão de bem, respeitar a imprensa, mesmo que não concorde e, de maneira específica, aos jornalistas, ainda que se escondam sobre alcunhas, pseudônimos ou qualquer coisa que isso valha.

Há muito não leio o “Colunaço do Pêta”, não por achá-lo desimportante, mas porque as minhas múltiplas atividades obrigam-me a priorizar as minhas ações, incluindo as minhas leituras. Entretanto fui informado por amigos, que a citada coluna referiu-se a mim, de maneira pouco elogiosa. Li. Não há dúvida que a notícia é descabida, apressada e injusta e o currículo de “renomado otorrinolaringologista, advogado, jornalista, regente de coral, saxofonista, cantor desafinado, político, empresário, pastor, ambientalista e fervoroso apreciador das artes e letras...” determina tratar-se de minha pessoa, João Bentiví.

Sou responsável por honrar esse currículo, agradeço o imerecido “renomado” e respeito a designação de “cantor desafinado”, apesar de não corresponder aos aplausos que recebi do mesmo doutor Pêta, quando, por mais de uma vez, cantei e toquei em sua residência, na ocasião dos seus aniversários.

A questão principal dessa resposta prende-se à minha vida médica, principal profissão. Faço tudo para exercitá-la nos limites de minhas possibilidades. Sou médico há 31 anos, trabalhei no antigo IPEM. Durante 16 anos, fui perito legista do Estado do Maranhão e, há quase 30, sou médico concursado do antigo INAMPS, atualmente, do Ministério da Saúde, lotado no Hospital Infantil Juvêncio Matos.

Aproveito a oportunidade para informar ao doutor Pêta e para as autoridades da saúde desse estado que a minha fila de cirurgia, no Juvêncio Matos, se aproxima de 200 crianças: é um verdadeiro estado de calamidade pública e o que posso fazer como médico, faço.

Voltemos ao foco principal, a tal nota da coluna  de domingo do JP.

 Tenho na história de minha vida, como médico, muitos milhares de consultas e cirurgias e guardo alguns detalhes que o doutor Pêta necessita conhecer. Pouquíssimos médicos desse estado realizaram tantas consultas e procedimentos cirúrgicos gratuitos, quanto eu. Enfatizo, gratuitos!  Basta verificar os arquivos da Santa Casa, Hospital Dutra e Juvêncio Matos ou, para diminuir o trabalho, ir até o Hospital Tarquínio Lopes, nosso querido Hospital Geral.

O meu nome está na escala do Centro Cirúrgico, mas o que não está escrito, doutor Pêta, é que pelo árduo trabalho que lá realizo, eu não ganho nenhum centavo, nem do hospital, nem do governo e nem de ninguém, além do mais, o material cirúrgico é de minha propriedade: os hospitais públicos de São Luís, em regra, não possuem material cirúrgico para otorrinolaringologia.

 O meu passado e o meu presente, como profissional médico, falam de milhares de cirurgias feitas esperando a gratidão de Deus somente. O meu vínculo com o Hospital Geral, por exemplo, é somente a minha consciência cristã e cidadã. Nada mais! Nunca tinha revelado isso, achava desnecessário e deselegante revelar, no entanto a nota vil obriga-me a fazê-lo.

A nota do “Colunaço” trata de um “Índio”. A história comprova que já operei, gratuitamente, maranhenses, pernambucanos, cariocas e não tenho nenhum motivo para não operar chinês, inglês ou índio. De graça, fique claro!

Isso posto, pelo respeito que tenho ao Jornal Pequeno, órgão jornalístico que por muito tempo veiculou uma das mais sérias colunas do jornalismo maranhense, de minha lavra, a JANELA LIVRE. Pelo respeito que tenho à memória de Ribamar Bogéa. Pelo respeito que tenho a dona Hilda e aos tantos Bogéas, incluindo muitos da segunda e terceira geração, que foram meus alunos, como o próprio doutor Pêta o foi, espero merecer a publicação dessa simples nota, não para satisfação pessoal, pois de tão feliz que sou, ser satisfeito é uma simples e prosaica decorrência.

Essa nota insere-se na responsabilidade que tenho pelo respeito à minha história e zelo por minha honra. Respeito e zelo são indeclináveis.

 

João Melo e Sousa Bentiví

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