São Luís | Maranhão
 
   


José Raimundo
 



São Luís, cadê você?
O vira latas, o poste e a lua de mel
Nunca fomos tão felizes
A pluralidade parlapatista e os brioches
Bolsa Família: a verdade nua e crua
A festa das capitanias cartoriais
O país do futuro
Agrotóxicos, silicones e desrespeito
O criador ou a criatura
As palmadas e esta a tal
O Marco Polo do Agreste
Côco, ideal e cremosinho
Cheléleu para presidente
Cabeça vazia, oficina do diabo
A moderna inquisição
A santa ignorância
O comunicador descomunicado
Claridade emparedada
Os seguidores dos "beatos"
Tempos e costumes

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08/09/2010
São Luís, cadê você?

Num dia do mês corrente, há longas décadas, nascemos nesta cidade de São Luis,no bairro de Monte Castelo, na rua de Roma Velha.

Lá, em épocas mais priscas, existia o campo do Rachid e uma igreja católica, onde, em dias da Semana Santa, apresentava-se, a exemplo de quase todas as paróquias de bairros, encenações da Paixão de Cristo, assistidas com unção e respeito.

Lá, no bairro, nasceu e viveu grande parte da sua vida, o poeta e saudoso amigo Carlos Cunha, imolado pelo simples fato de discordar e denunciar, na impresa, as falcatruas do poder, imolação que quase nos foi imposta, pela mesma “ousadia”.

Esperamos, poeta, que lá onde se encontra, tenha companhia da estrela verde que tanto procurou nos pagos de cá. Se a encontrar, por favor, mande o enderêço, que também a buscamos, nesse quixotesco sonho de transformar, para melhores, as pessoas que se trogloditizaram no instinto da propria indigêncial espiritual.

Amar São Luis, é claro que a amamos! Mas, cadê São Luis? Estará, por acaso, nos escombros do seu fantasmagórico Panteon, cujos pedestrais, cagados e mijados por bêbados e aves, apontam para os céus, à cata dos bustos imortais que um dia orgulhosamente sustentaram? Ou, em seu mudo perfilar, trágicos atenienses de alvenaria, a guardar os escombros da Biblioteca Benedito Leite, Acrópole prostituida pelo desrespeito dos que deveriam provê-la?

Nas pedras de cantaria e na fonte secular que modernos (as) “mangudas” levaram da Deodoro, sabe-se lá para onde? Nas lojas sem vitrines ou presépios da Rua Grande, onde, aos sábados, os pedintes iam recolher moedas, sem ter que prostituirem esposas e filhas, como nos modernos “programas sociais” do oficialato?

Nos prostibulos da zona iluminada, em tempos de meretrício, quando as profissionais do sexo ainda não sofriam a concorrência desleal de dondocas desvairadas, popozudas de silicone, vegetais e mal amadas?

Bons tempos em que o sexo, mesmo pago, comportava limites e abstinha-se de licenciosidades, hoje tidas normais, embora sem a malícia messalinica daquelas que ainda choravam ao escutar “Verso e reverso”, de Antonio Tomás!

Bons tempos em que a boêmia sadia do Moto Bar e Hotel Central não se resumia ao heroísmo sonhador (oxalá vingue!) do jornalista Marinaldo Gonçalves, no “Sabor da Ilha”, na praça Dedro II, no prédio citado! Bons tempos da mocidade estudantil, com sua garrulice nas praças, sem o assédio atual de traficantes e viciados!

Tempos de sobrados, sobradões, largos e cantaria! Tempos de “ave marias” nos alto-falantes e nas estações de rádio, às cotidianas seis da tarde! Do meu amado Liceu sem grades nas janelas e referência de ensino! Liceu do temido exame de admissão! Bons tempos de São Luis!...

Parabéns, para quem e porque? Para São Luis dos “sobradões”? Qual, se lhe deixaram apenas a “sobra” e lhe roubaram os “dons”?...

Parabens para quem? Para São Luis Atenas, São Luis “apenas” ou São Luis “Jamaica”? Para o bumba boi de olhos de papel de seda com estrela na testa, ou para o bumba boi de peito e bunda de fora, tocando Parintis e fantasiado de escola de samba? Para bens de todos, melhor não dar parabéns: fechar os olhos e sonhar com a estrela verde do poeta!...

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04/09/2010
O vira latas, o poste e a lua de mel

Conversávamos, dias atrás, com um amigo de longas datas, desses longevos e sinceros – coisa pouco em voga na atualidade – a respeito dessa unilateralidade política do país e da risível e ridícula propaganda dos candidatos, com seu “um prá mim; mais um prá tú, outro prá mim, um prá tú, outro prá mim; mais um prá tú, outro prá tú, outro prá mim”, da composição do imortal Luis Gonzaga, além do grotesco de certas figuras (das mentiras, nem se fala!) quando tivemos a atenção despertada para um cachorro magro, sujo e pirento, perseguido por um desses cães enormes e ferozes, que o atacava sem dó e sem piedade.

E, azar do perseguido, todos os outros cachorros que saiam à rua, engrossavam o time dos perseguidores, enquanto aquele gania desesperadamente. Assim prosseguiu a perseguição, até dobrar a esquina.

Talvez alí, na cena, a longevidade dos mesmos, dos de sempre, que prometem, a cada eleição “mudar o país”, como se não fossem elas que o governassem, através de décadas, e pelo analfabetismo literal do povo.

Talvez, através dos séculos provindouros, até a piedade ou justiça divina determinarem o contrário. Talvez alí, repetimos, estivesse explicada a situação: basta verificar que quem está no poder, tem, como coligados, quase todos os outros partidos políticos, para garantia de vitória do maior, o enorme e o feroz, contra o magro e o desnutrido, alegorizando-se o poder e o povo, este sem nenhum paladino, e entregue à sua própria sorte.

Na Normandia, nos idos do século II, o senhor feudal apossava-se das terras dos aldeões, e lhes permitia, “generosamente”, cultivá-las, desde que o produto do cultivo fosse dividido com ele. E, como prova maior de submissão ao chefe, todas as vezes em que algum morador da aldeia pretendia casar-se, a noiva teria que ser entregue aos prazeres do monarca, na noite de nupcias, para o desvirginamento.

Ou seja, depois de passar a noite com a lua e deliciar-se com o mel, o soberano devolvia a noiva para o marido, que teria de contentar-se com as migalhas do banquete, agradecer ao protetor e continuar trabalhando para mante-lo no poder até quando Deus desse bom tempo. Coisas da Idade Média! Claro que isso já se deu há muito tempo, na época do absolutismo escravagista.

 E, se alguém achar alguma semelhança entre o relatado e alguns progamas sociais, igualmente desvirginadores e escravizantes, credite o fato à imaginação quixotesca de algum sonhador. Além de sonhadora e quixotesca, inócua, porque vai de encontro ao conformismo de milhões de sanchos pança. Coisas do tipo “ruim com ele, pior sem ele”, num eloquente atestado de escravidão acomodada. Será que existe algum país no mundo onde as pessoas sejam assim?...

Mas, voltando à cachorrada, preferimos ser vira latas: é que, quando nos permitem, latimos a vontade, e podemos escolher o poste onde queremos fazer xixi!...

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28/08/2010
Nunca fomos tão felizes

Alunos convictos, porque bem pagos, com o nosso imposto exorbitante, algumas publicações “vira-fôlhas”, esmeram-se, inutilmente esperamos, em pintar de côres ufano-nazistas, à moda Hitler e Goebbels, que conseguiram levar o povo alemão no bico com a repetitividade falaz, o que ainda resta do verde-amarelo tupiniquim, com evidentes intenções eleitoreiras, massificadoras da ignorância analfabeto-bolsista de mais de vinte milhões de ludibriados brasileiros.

Mas, com alguma boa vontade, ver-se-á na manchete de capa da “Isto É”da semana passada, uma grande dose de verdade, malgrado não seja essa a intenção do patronato.

Diz a manchete: NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, certamente aludindo a uma felicidade hipotética, ou vivida por alguns privilegiados que podem, como diz o texto menor, comprar casa nova, viajar pelo exterior (no país é mais caro ), trocar de carro anualmente, comer muito bem, ter saúde, frequentar os spa da vida, colocar silicone na bunda e na cara, estudar em bons colégios, e por aí afora.

Mas o povo, o populacho, esse contingente de mais de setenta por cento que vive a miséria cotidiana de um sálario de fome, que coloca no pedestal esses mimetistas de ideologia botequineira, também pode se incluir na manchete intencionalmente contrária e até cruel, da seguinte maneira:

é verdade, NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, como no tempo em que o salário mínimo getulista dava para sustentar, de forma digna, uma famiília trabalhadora de cinco pessoas; como no tempo em que o ensino público era referência de melhor qualidade ( vide o Liceu Maranhense do nossos tempos!);

como no tempo em que propaganda era “reclame”, e coisa de quitanda, sabonete, mercearia, óleo de peroba, azeite marca Galo, melhoral, cafiaspirina e não artimanha de govêrno para ludibrio da população e biombo de mensaleiros, aloprados e gente dessa inqualificação;

no tempo em que as casais passeavam na praças, de mãos dadas, sem medo de estupro, assalto e outras coisas infelizmente comuns, porque deram cartão vermelho para a segurança, ao desarmarem o trabalhador e armarem a bandidagem;

no tempo em que as estradas eram cuidadas para o escoamento do progresso, e nunca para efígie da morte ou para roteirizar a desgraça do tráfico compadresco;

no tempo em que os programas sociais não exigiam, como moeda de troca, a virgindade das adolescentes, crianças sem expectativas, ou famílias desestruturadas por essa obritatoriedade faminta;

no tempo em que São Luis era Atenas Brasileira e não Jamaica;

no tempo em que craque era jogador de futebol e não mercadoria de desgraça nas mãos da juventude bolsista; no tempo em que o aumento do funcionalismo público não era acorrentado por um decênio;

no tempo em que “falar como um deputado” era sinônimo de correção verbal;

no tempo em que muitos políticos ainda eram patriotas e não “pratiotas”; no tempo em que os pais sustentavam os filhos e nunca o inverso bolsista;

 no tempo em que a esmola recebida nunca partia do recebedor ( destino dos nossos impostos );

no tempo em que o salário era fruto do suor da verticalidade e não da alcovice horizontal incentivada;

no tempo do bom tempo para todos.

NUNCA FOMOS TÃO FELIZES... (quem?...)

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21/08/2010
A pluralidade parlapatista e os brioches

O parlapatismo ideológico, os constantes escorregões gramático-verbais e o apêgo ao passado dos outros como forma de exacerbação própria, têm demonstrado que o quelonismo petista vai suar em bicas para colocar uma carapaça aceitável em sua pretensa “mãe do povo” (cópia pouco recomendável daquela portenha platinada.)

Além do mais, quem assim a denomina, como apelação populista, é o mesmo que se rotula “ pai do povo”. Como nenhum dos dois tem registro cartorial, os “filhos”, estupefatos, já os rotularam, apropriadamente, de “padrasto” e “madrasta”.

Ouviu-se recentemente, em programa político gratuito, a voz da futura “mamãe”, segundo seus acompanhantes, dizer em off que “ninguém pode realizar nada sem que “ela” tenha paixão...” Barbárie contra a gramática, ou verdadeira “ingraticamalidade”, como dizia Eça de Queiróz! “Ninguém”, é pronome indefinido, e essa história de “ninguém ela” só na obtusidade desses redatores políticos pagos com o nosso, enquanto Bráz é tesoureiro.

Em recente debate transmitido, via internet, entre a “Mamma”, Serra e Marina, a insistencia da petista em referir-se ao passado (dos outros, que o seu poderia provocar “abortos”) proporcionou, no tucano, um comentário ou recomendação de cáustica, porém real ironia.

Disse ele: “Dilma, o seu retrovisor é maior que seu para-brisa”, o que, trocando em miúdos, significa claramente: “olhe para a frente; deixe o passado dos outros em paz”! Uma surra ou um severo puxão de orelhas (coisas proibidas pela sabedoria “paterna” oficial) não teriam efeito tão devastador, embora saibamos que, em certas áreas, conteúdo é artigo raro ou extinto.

Como se vê, caso se cumpra – o que não merecemos – esse vaticínio de Cassandra, os “menas verdade” continuarão a vergastar ouvidos, pelo menos os mobralinos alfabetizados, e daí em diante, nos sibilantes improvisos das quarentenas de milhões e milhões de “filhos” involuntários.

E o “pai” que, segundo o Folha de São Paulo, pretende ser, no futuro, “mãe carinhosa”, teria oportunidade de cometer o primeiro “hermafroditismo político”, desde os remotos de Zeus e Afrodite, até nossa atualidade, o que, sem dúvida, serviria para massagear sua indescritível e megalômana egolatria.

Evoé!...

Já o demonstrado apêgo ao passado alheio poderia (Deus que nos livre!) sacudir do mausoléu lisboeta o descobridor Pedro Álvares Cabral, para ocupar o Ministério dos Transportes, ou Maria Antonieta, da côrte palaciana francesa, para titularizar o da Assistência Social e de Renda, comandando a distribuição de bolsas-miséria e brioches ao povo.

Seria, sem dúvida, uma festa! Mas o “papai” não iria gostar: é que teria de dar volta ao mundo, em suas intermináveis andanças, num prosaico e enferrujado teco-teco!

Talvez até no 14-Bis, pilotado por Santos Dumont!...É o “cara”!...

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20/08/2010
Bolsa Família: a verdade nua e crua

Antigamente, quando as “moças de família”, principalmente as de famílias mais pobres, “perdiam o cabaço”, para quem não sabe, perdiam a vigindade (naquele tempo existia) iludidas pela lábia do conquistador, eram colocadas no olho na rua pelos pais, submetidas, não raro, a surras homéricas e alvo da chacota de todos.

Sem perspectiva nenhuma, eram, geralmente, vítimas das donas de prostíbulos, engrossando o comércio de carne humana em troca de casa e comida, pelo menos durante os anos de seu viço corporal, após o que passavam a esmolar na indigência, geralmente tuberculosas, caminhando, tristemente, para um trágico fim, “pedindo esmola àquela mesma gente/que dos seus beijos se fartara outrora”, como disse no sonêto “Verso e reverso” o poeta e padre cearense Antonio Tomás.

Agora, desta vez com apoio, ideário e publicidade oficiais, surgem, nos mesmos moldes, o tal “Bolsa família”, e o tal “Auxílio natalidade”, programas sociais, onde, como agiam antigas “madames”, as jovens mal saídas da infância, portanto pré-adolescentes e menores, têm que se prostituir, e, o que é pior, conceber para receberem as míseras moedas de troca da miséria-família, sustento seu e dos rebentos.

É o pirão pela dignidade!

O aviltamento da vida no seu paroxismo inimaginável! Pior de tudo, é que as prostitutas de cabaré eram pagas com o dinheiro dos clientes, enquanto as bolsistas oficiais recebem, como chachê da desgraça, o seu próprio dinheiro, porque provém de impostos, impostos a todos(as).

É o “chêcho” institucional! Chegamos ao fundo da excrescência humana! E tudo isso é tido e havido, pelo menos por seus mentores emplumados, em cadeiras estofadas e no ar refrigerado, como distribuição de renda. Até como piada, soa sem a menor graça. Ou será que, sinceramente, tais desumanos não têm amor pelos seus filhos? Ou os acham acima do bem e do mal? Ou será que a mentira, que lhes é essência, fá-los ver a crueldade como desculpa para manutenção do poder? Ou que o povo é tão ou mais idiota do que pensam? Aliás, com todo o respeito que ainda me resta pelo povo, devo inclinar-me a creditar essa última hipótese. Pelo andar da carruagem, os glutões desse baquetes de carne e dignidade humanas ainda poderão se refastelar, até a desinteria, por algum tempo.

O teto do inferno é o chão, dizia, desgraçadamente premonitivo, Dante, na Divina Comédia. Pena que seja por cá!...

Hitler e sua corja, para sustento da loucura arianista, confinava judeus e desfetos em campos de concentração, obrigava-os a ouvirem, como um castigo, músicas marciais nazistas, e depois os assassinava, para repúdio da humanidade. Alguns, muitos alguns, são confinados à sua desgraça anunciada, e, note-se, não se trata de desafetos, mas de compatriotas, obrigados a perpetuar sua espécie em troca de morte lenta para sí e descendentes, obrigados a ver e escutar, em rádios e televisões, as modernas músicas marciais, a lenga-lenga dos pronunciamentos feitos ao arrepio de todos as correções - gramaticais e institucionais - e os abraços sorridentes entre os novos bárbaros, tiranos outrora combatidos, e hoje afagados “companheiros”.

E todo mundo de bico calado, espiando para tirar uma casquinha da aprovação paga com os impostos de todos nós.

E o povo? Ora o povo que se lasque! Que leve suas filhas para fornicarem à beira da estrada, e receberem o “cheque visado” da miséria oficial, em troca da própria esperança, e em nome da mentira!
Quem os mandou nascerem pobres?.

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