São Luís | Maranhão
 
   


João Bentivi
 



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15/10/2008
Fora de foco

A campanha de São Luís teve qualidade regular no primeiro turno. Alguns exageros podem até serem perdoados. O candidato Castelo apanhou bastante: trouxeram a questão pessoal das empresas e suas dívidas, a administração séria de dona Gardênia pela ótica da malandragem e o requentamento da meia passagem.

Flavio Dino, por sua vez, recebeu uma bordoada da direita religiosa, com um panfleto de qualidade deplorável e efeito duvidoso.

O segundo turno esperava-se mais inteligente e mais propositivo. Não está sendo.

As duas entrevistas dadas pelos candidatos, à Rádio Mirante AM, merecem destaque e lamento não tê-las ouvido por inteiro. Sobre a de João Castelo ouvi somente os comentários dos entrevistadores e, de Flavio Dino, pude acompanhar uns dez minutos, mas o suficiente para dar a minha humilde opinião.

Uma das perguntas formuladas, motivo desse artigo, foi o tal casamento gay. Foi feita maldosamente ao Castelo, com o intuito de mostrá-lo como um radical de direita. Pelo que li e ouvi, o Castelo não respondeu a contento, mas não caiu na esparrela meticulosamente preparada.

Flavio Dino recebeu a mesma pergunta para dar um banho e esperava-se um banho. Ao meu entendimento, saiu-se muito mal Como homem da esquerda, que já defendeu as bandeiras ditas avançadas, foi tíbio, tímido e não convincente.

Creio que tentou despistar para não perder o apoio de alguns pastores que hoje tentam compatibilizar o credo do PC do B, com as páginas do evangelho. Nem respondeu e nem se mostrou um convertido, como o seu líder de agora, o prefeito Tadeu Palácio. Mas o pior estava por vir.

De repente, um entrevistador, meio encabulado, tenta tocar em um assunto, digamos assim, não confortável: o boato de um suposto homossexualismo do jovem candidato. O candidato, em um estilo surreal diz, mais ou menos isso: você quer perguntar se eu sou gay? Pensei que estava ouvindo mal. Não estava!

O candidato justificou-se pior ainda. Primeiro, qualquer pessoa sensata sabe que ser gay ou não, não é garantia de ser bom ou mau administrador. Segundo, se o candidato é do PC do B, se o candidato, segundo dizem, apoiou a parada gay, ser gay ou não perde a relevância, a menos que o candidato, no fundo, no inconsciente, discrimine os homossexuais. Terceiro, e não menos importante, o candidato foi tão enfático na reafirmação de sua heterossexualidade e seu papel procriador, que deixou a nítida impressão de que o tal orgulho gay não passa de um simples discurso. Não há orgulho gay, coisa nenhuma!

Caso fosse eu o entrevistado, um sujeito do Vale do Mearim, que nunca precisou declinar e nem decantar a heterossexualidade, até por achá-la corriqueira, diria, curto e grosso: de minha intimidade cuido eu! Ponto final!

Voltemos ao nosso personagem central. A propósito, as vinhetas no rádio, nesses últimos dias, enfatizam com veemência as possibilidades procriativas do jovem candidato, o amor paternal aos seus rebentos e um determinado esquecimento da figura matriarcasl. Não quero crer, jamais, que isso seja efeito da questão “to be or not be”.

Finalmente, para encerrar esse assunto, procurei em vão, nos blogues dos dinistas, a carta de desagravo do guerreiro sindical e meu amigo dos velhos tempos do PSDB, Aníbal Lins. Como em um golpe de mágica, a tal peça defensiva sumiu dos blogues. Qual a razão?

Não faz mal, mas a defesa do nobre Aníbal é aquilo que entendemos como de natureza essencialmente supérflua e desnecessidade dinossáurica. Por que um ex-juiz federal, advogado competentíssimo, necessitaria da defesa de um terceiro, em um assunto pessoalíssimo? Seria o nobre desagravista especializado para tal? Como assinou com o qualificativo de líder sindical, constaria no ideário do seu sindicato se intrometer em assuntos visceralmente ligados a cama e alcovas?

Enquanto o nobre candidato, ex-juiz federal, gasta verbo e neurônios com assuntos desse patamar, a cidade clama por ver seus verdadeiros problemas discutidos. Ainda há tempo. Falta mais de uma semana!

EM TEMPO: Bastava somente que o pai do candidato, doutor Sálvio Dino, estivesse integrado há mais tempo na campanha, que alguns comentários maldosos perderiam razão para existir! Não estava! Por quê?

Observação: Alterado em 16/10/08, às 14 horas.

 
 
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